sexta-feira, 10 de agosto de 2007

XIX Domingo do Tempo Comum:

A Palavra de Deus que a liturgia de hoje nos propõe convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “Reino”.
Estejamos atentos, abramos o nosso coração à Sua Palavra e, meditando-a, façamos dela alimento para cada dia da nossa vida que passa. Comungando a Sua Palavra e comungando o Seu Corpo, partilhamos mais intensamente da Sua Própria vida.
Não deixemos, portanto, que a rotina se apodere de nós, nestas celebrações, em que, semanalmente, no dia consagrado ao Senhor, vimos participando.

1ª Leitura: Sab 18, 6-9:
A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “sábio” anónimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade “vigilante”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.

2ª Leitura: Heb 11, 1-2. 8-19:
A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.

Evangelho: Lc 12, 32-48:
O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “Reino”.

Para viver durante a semana:
Incidir sobre os verdadeiros valores… O nosso tesouro terrestre ocupa muitas vezes todas as nossas energias e a nossa vigilância. Acontece o mesmo com o tesouro que somos convidados a constituir em vista do Reino? Se o Mestre viesse hoje, como nos encontraria? Prontos a servir, prontos a acolhê-lo?… A nossa fé, como a de Abraão, é bastante viva para incidir sobre os verdadeiros valores?

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Deixar-me encontrar por Cristo

Cristo percorre os caminhos do mundo. Procura hoje, como o fez à 2000 anos, corações feridos, corações famintos, corações necessitados, corações vazios.
Oferece amor, dá a paz, ressuscita as entregas, provoca a santidade. Limpa, sara, dignifica os homens e as mulheres que não estão tão bem na vida, imersos no pecado, abatidos pela tristeza, marginalizados ou rejeitados por sociedades cheias de egoísmo e vazias de esperança.
Também a mim, também a cada um de nós ele estende uma mão, persegue-me com os seus laços de amor, livra-me de todo o poder do maligno, reveste-me com uma túnica branca e convida-me para o banquete do seu Reino.
Preciso então deixar-me encontrar por Cristo, permitir-lhe que Ele entre na minha vida, deixar-lhe as portas abertas para que possa dizer-me o muito que Ele me ama.
Preciso de o ver, de o sentir desde o mais profundo da minha alma, porque o que o mundo precisa é o amor de Deus, encontrar a Cristo e acreditar nele. Tudo isto porque Cristo não é só um ser humano fascinante… é muito mais do que isso: Deus fez-se homem n’Ele e, portanto, é o único Salvador.
Cristo percorre os caminhos do mundo. Hoje posso abrir os olhos para o descobrir, para sentir o seu olhar amigo e bom. Hoje posso escutar a sua voz serena, profunda, divina, que me repete: Não te condeno… porque vim buscar e salvar o que estava perdido.
Hoje sussurra-me com um carinho eterno que me ama. E, eu desde o mais profundo da minha alma devo responder-lhe com toda a minha força: Vem, Senhor Jesus!

sábado, 2 de junho de 2007

Domingo da Santíssima Trindade:

Terminado o Tempo Pascal, com a celebração no passado domingo da Festa do Pentecostes, somos hoje convidados a debruçarmo-nos sobre o mistério central da nossa fé, o mistério da Santíssima Trindade. A Solenidade que hoje celebrámos não é um convite a decifrar a mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

1ª Leitura: Prov 8, 22-31:
A primeira leitura sugere-nos a contemplação do Deus criador. A sua bondade e o seu amor estão inscritos e manifestam-se aos homens na beleza e na harmonia das obras criadas (Jesus Cristo é “sabedoria” de Deus e o grande revelador do amor do Pai).

2ª Leitura: Rom 5, 1-5:
A segunda leitura, convida-nos a contemplar o Deus que nos ama e que, por isso, nos “justifica”, de forma gratuita e incondicional. É através do Filho que os dons de Deus/Pai se derramam sobre nós e nos oferecem a vida em plenitude.

Evangelho: Jo 16, 12-15:
Evangelho convoca-nos, outra vez, para contemplar o amor do Pai, que se manifesta na doação e na entrega do Filho e que continua a acompanhar a nossa caminhada histórica através do Espírito. A meta final desta “história de amor” é a nossa inserção plena na comunhão com o Deus/amor, com o Deus/família, com o Deus/comunidade…

Para viver durante a semana:
Mergulhar no coração do mistério… Uma festa para celebrar a relação de Amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Um mistério imenso que ultrapassa as nossas concepções humanas e no qual somos convidados a entrar. Durante a próxima semana podemos dedicar um tempo à oração, à contemplação, para nos deixarmos mergulhar no coração deste mistério de Amor da Trindade… e um tempo para recentrar de novo as nossas vidas de baptizados: a vida, o amor, a paz, o serviço… passam livremente através de nós? Ou estamos desgarrados do conjunto?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Domingo de Pentecostes:

O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo. Celebramos assim hoje a festa do Pentecostes, palavra derivada do grego que significa cinquenta, 50 dias depois da Páscoa. Foi realmente neste dia que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, deu à Igreja nascente a força de continuar na terra a obra de Cristo. Esse Espírito continua a agir na Igreja que somos todos nós. Procuremos então acolhe-lo e peçamos-lhe que nos ajude a viver melhor a nossa fé.

1ª Leitura: Actos 2, 1-11:
Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une, numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

2ª Leitura: 1 Cor 12, 3b-7.12-13:
Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

Evangelho: Jo 20, 19-23:
O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Para viver durante a semana:
Lá fora o mundo espera-nos… Hoje as portas abrem-se, os medos transformam-se em audácias, as línguas proclamam as maravilhas de Deus! Que porta temos nós que abrir para sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro dos outros, na família, no trabalho, no bairro, na cidade…? Que medo, que timidez somos convidados a ultrapassar para ousar arriscar num serviço social ou eclesial que nos é solicitado? E a quem vamos nós anunciar estas maravilhas de Deus que nos fazem viver?
Este trabalho de escuta do Espírito e de procura de respostas aosŸ desafios actuais só se pode fazer em Igreja. O Pentecostes faz-nos reencontrar o sentido da Igreja… Experimentemos, esta semana, inserir-nos melhor num grupo em que o discernimento do trabalho do Espírito será possível e enriquecedor.

Domingo da Ascensão:

A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos é um grande símbolo, sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo. Significa que no projecto de Deus não há outro destino nem outro fim, para as pessoas, além daquele que hoje celebramos em Jesus. Ele garante que a nossa esperança não ficará defraudada, por isso, cheios de confiança e alegria, iniciemos a nossa celebração.

1ª Leitura: Actos 1, 1-11:
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projecto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projecto de Jesus.

2ª Leitura: Ef 1, 17-23:
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.

Evangelho: Lc 24, 46-53:
O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de Jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projecto salvador de Deus e resulta do facto de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.

Para viver durante a semana:
Testemunhas de Cristo em 2007. “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?” A mesma palavra vem mexer com as nossas inércias e empurra-nos para fora de nós mesmos nos caminhos deste mundo. Este Messias morto e ressuscitado… vós sois suas testemunhas! Medimos o desafio e a força destas palavras? E como tomamos parte na grande rede das testemunhas de Cristo em 2007?

terça-feira, 15 de maio de 2007

Semana de Oração pela Vida

Começou dia 13, a Semana da Vida, promovida pelo Departamento Nacional da Pastoral da Família, que este ano se dedica a reflectir sobre “A Felicidade Humana - Preocupação de Deus”. A iniciativa vai estender-se até ao próximo Domingo, 20 de Maio.
O contexto em que esta semana decorre é um momento difícil, a nível social. Valores e enquadramento jurídico, procuram formas de legislar a resposta que os portugueses deram no dia 11 de Fevereiro, quando votaram sim ao referendo ao aborto. “A organização desta semana é mais uma motivação para uma reflexão em torno destes problemas. Esta iniciativa não é um reflexo do que aconteceu no referendo”, mas mais “uma focagem de uma problemática séria na vida das famílias”, adianta Bernardo Mira Delgado, que acompanhado por Maria da Graça Delgado formam o casal responsável pelo Departamento Nacional da Pastoral Familiar.
“A questão da vida não se resume ao aborto”, adianta Maria da Graça Delgado. Depois de 11 de Fevereiro, “consideramos que é necessário sublinhar esta questão e também sublinhar a urgência de investir na formação e na preparação das pessoas quando queremos defender valores tão fundamentais como a vida”, acrescenta Maria da Graça Delgado
O casal responsável manifesta a intenção de fazer destes sete dias, uma semana sobre “a cultura de vida. Não pretendemos intervir a nível político, mas procuramos alertar as consciências para o valor da vida nascente”.
O trabalho da pastoral familiar “nunca está feito. Estamos profundamente convictos de que é necessário que a vida seja defendida e promovida desde o início até ao final, no seio da família”, sublinha Maria da Graça Delgado, “pois este é o espaço onde é preciso sedimentar estes valores. As dificuldades que a família atravessa neste momento que levam a uma perda do valor radicam nas dificuldades que a família atravessa”.
“A mudança cultural que a nossa sociedade manifesta não é órfã. Ela segue tendências europeias. Em Portugal manifestamos o mesmo quadro”, aponta Bernardo Delgado, que sublinha ainda a mobilização salutar que se estabeleceu em torno da campanha do Não, proporcionando uma grande reflexão e contributos para o esclarecimento. “Tudo isto terá influência num «mix cultural» que compõe a nossa sociedade”, afirma.
Para esta semana, o Departamento Nacional da Pastoral Familiar disponibiliza um conjunto de orações que “podem servir de guião para a oração familiar”. “Uma vez que nos encontramos no mês de Maria”, o departamento veiculou também “intenções para a recitação do rosário” e disponibiliza ainda uma reflexão sobre os textos que enquadram a Semana da Vida, “como reflexo desta celebração”, dá conta Bernardo Delgado.
Recorde-se que esta iniciativa foi proposta inicialmente por João Paulo II em 1991, que pretendia convidar toda a Igreja celebrar, num dia durante o ano, o dom da vida. A Conferência Episcopal, através da Comissão Episcopal do Laicado e da Família, decidiu que, em Portugal, se faria uma semana da vida. Este tem sido um acontecimento que tem marcado a vida da Igreja desde então.

sábado, 12 de maio de 2007

VI Domingo da Páscoa:

Neste sexto Domingo da Páscoa continuamos a celebrar, com espírito renovado e em profunda alegria, a Ressurreição do Senhor. A liturgia da Palavra, neste dia santificado, recorda-nos o Dom que o Senhor Jesus nos irá enviar, isto é, o Espírito Santo, depois da Sua partida para junto do Pai. Na liturgia deste domingo sobressai ainda a promessa de Jesus de acompanhar de forma permanente a caminhada da sua comunidade em marcha pela história: não estamos sozinhos; Jesus ressuscitado vai sempre ao nosso lado.

1ª Leitura: Actos 15, 1-2.22-29:
A primeira leitura apresenta-nos a Igreja de Jesus a confrontar-se com os desafios dos novos tempos. Animados pelo Espírito, os crentes aprendem a discernir o essencial do acessório e actualizam a proposta central do Evangelho, de forma que a mensagem libertadora de Jesus possa ser acolhida por todos os povos.

2ª Leitura: Ap 21, 10-14. 22-23:
Na segunda leitura, apresenta-se mais uma vez a meta final da caminhada da Igreja: a “Jerusalém messiânica”, essa cidade nova da comunhão com Deus, da vida plena, da felicidade total.

Evangelho: Jo 14, 23-29:
No Evangelho, Jesus, na última Ceia, continua a dar os derradeiros ensinamentos aos Apóstolos, diz aos discípulos como se hão-de manter em comunhão com Ele e reafirma a sua presença e a sua assistência através do “paráclito” – o Espírito Santo.

Para viver durante a semana:
Que fazemos da Palavra? Em cada domingo a Palavra é-nos oferecida. Que fazemos dela? Ela é o “fio condutor” da nossa semana? Ou esquecemo-la mal a escutamos? Nesta semana, procuremos recordar a Palavra evangélica e deixemo-nos transformar por ela. O Espírito Santo ensinar-nos-á, far-nos-á compreender, diz-nos Jesus. Basta estarmos abertos à sua acção!
Jesus deixou-nos o seu Espírito e a sua paz como prendas de despedida, dois pormenores de profundo significado para o nosso equilíbrio e dinamismo de crentes. O Espírito que anima a Igreja, não somente é consolador, senão também que nos ilumina poderosamente na hora de termos de tomar as pequenas e as grandes decisões. Portanto, com a paz e com a força do Espírito Santo no coração, regressemos à vida a transbordar de vida em Cristo.