sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

III Domingo da Quaresma

Estamos aqui reunidos para celebrar o terceiro domingo da Quaresma, tempo de preparação para a celebração do Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus que hoje nos é proposta afirma, essencialmente, que o nosso Deus está sempre presente ao longo da nossa caminhada pela história e que só Ele nos oferece um horizonte de vida eterna, de realização plena, de felicidade perfeita.

1ª Leitura: Ex 17, 3-7:
A primeira leitura mostra como Jahwéh acompanhou a caminhada dos hebreus pelo deserto do Sinai e como, nos momentos de crise, respondeu às necessidades do seu Povo. O quadro revela a pedagogia de Deus e dá-nos a chave para entender a lógica de Deus, manifestada em cada passo da história da salvação.

2ª Leitura: Rom 5, 1-2.5-8:
A segunda leitura repete, noutros termos, o ensinamento da primeira: Deus acompanha o seu Povo em marcha pela história; e, apesar do pecado e da infidelidade, insiste em oferecer ao seu Povo – de forma gratuita e incondicional – a salvação.

Evangelho: Jo 4, 5-42:

O Evangelho também não se afasta desta temática… Garante-nos que, através de Jesus, Deus oferece ao homem a felicidade (não a felicidade ilusória, parcial e falível, mas a vida eterna). Quem acolhe o dom de Deus e aceita Jesus como “o salvador do mundo” torna-se um Homem Novo, que vive do Espírito e que caminha ao encontro da vida plena e definitiva.

Para viver durante a semana:
Que fonte?Sede do Povo de Israel no deserto!Sede da samaritana!E nós? Temos sede? De quem? De quê?A que poço vamos nós beber para matar todas as sedes que nos habitam?E se nos enganamos na fonte?«Senhor, dá me dessa água, para que eu não sinta mais sede»!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

II Domingo da Quaresma

Estamos aqui novamente reunidos para celebrarmos o Senhor, hoje que celebramos o segundo domingo da Quaresma, tempo de preparação para a celebração do mistério Pascal. Hoje, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projectos, da obediência total e radical aos planos do Pai.

1ª Leitura: Gen 12, 1-4:
Na primeira leitura apresenta-se a figura de Abraão. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que sabe ler os seus sinais, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total e com a entrega confiada. Nesta perspectiva, ele é o modelo do crente que percebe o projecto de Deus e o segue de todo o coração.

2ª Leitura: 2 Tim 1, 8b-10:
Na segunda leitura, há um apelo aos seguidores de Jesus, no sentido de que sejam, de forma verdadeira, empenhada e coerente, as testemunhas do projecto de Deus no mundo. Nada – muito menos o medo, o comodismo e a instalação – pode distrair o discípulo dessa responsabilidade.

Evangelho: Mt 17, 1-9:
O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projecto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.

Para viver durante a semana:

A aventura da fé“Deixa a tua terra…”“Sofre comigo pelo Evangelho…”“Levou-os, em particular, a um alto monte…”A aventura da fé não nos deixa qualquer repousoaté ao dia em que toda a Criação se prostrará diante do Filho Bem-Amado.Cremos verdadeiramente que a nossa pequena parte é indispensável?E fazemos por isso?

I Domingo da Quaresma

Estamos aqui novamente reunidos para celebrarmos a nossa fé e para nos aproximarmos o mais possível do modelo de Jesus Cristo. O que principalmente dá sentido à Quaresma é a conversão do coração, e esta é e deve ser sempre a nossa tarefa do dia a dia. Assim, no início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão” – isto é, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo – com fidelidade – os seus projectos.

1ª Leitura: Gen 2, 7-9; 3, 1-7:
A primeira leitura afirma que Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade; mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho e de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte.

2ª Leitura: Rom 5, 12-19:
A segunda leitura propõe-nos dois exemplos: Adão e Jesus. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive na obediência aos projectos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte; o esquema de Jesus gera vida plena e definitiva.

Evangelho: Mt 4, 1-11:
O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou – de forma absoluta – uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projectos. A Palavra de Deus garante que, na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projectos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido; e que toda a tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica e que o cristão deve, firmemente, rejeitar.

Para viver durante a semana:
Tu poderias…“Se és Filho de Deus…”Não nos acontece, às vezes, estar também do lado do tentador?“Se és Filho de Deus…”Tu poderias suprimir as fomes, as guerras, a miséria…Tu poderias tornar a tua Igreja próspera e célebre aos olhos das nações…Tu poderias…“Vai-te embora, Satanás!”

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

IV Domingo do Tempo Comum

As leituras deste domingo propõem-nos uma reflexão sobre o “Reino” e a sua lógica. Mostram que o projecto de Deus – o projecto do “Reino” – roda em sentido contrário à lógica do mundo… Nos esquemas de Deus – ao contrário dos esquemas do mundo – são os pobres, os humildes, os que aceitaram despir-se do egoísmo, do orgulho, dos próprios interesses que são verdadeiramente felizes. O “Reino” é para eles.

1ª Leitura: Sof 2, 3; 3, 12-13:
Na primeira leitura, o profeta Sofonias denuncia o orgulho e a auto-suficiência dos ricos e dos poderosos e convida o Povo de Deus a converter-se à pobreza. Os “pobres” são aqueles que se entregam nas mãos de Deus com humildade e confiança, que acolhem com amor as suas propostas e que são justos e solidários com os irmãos.

2ª Leitura: 1 Cor 1, 26-31:
Na segunda leitura, Paulo denuncia a atitude daqueles que colocam a sua esperança e a sua segurança em pessoas ou em esquemas humanos e que assumem atitudes de orgulho e de auto-suficiência; e convida os crentes a encontrar em Cristo crucificado a verdadeira sabedoria que conduz à salvação e à vida plena.

Evangelho: Mt 5, 1-12:
O Evangelho apresenta a magna carta do “Reino”. Proclama “bem-aventurados” os pobres, os mansos, os que choram, os que procuram cumprir fielmente a vontade de Deus, porque já vivem na lógica do “Reino”; e recomenda aos crentes a misericórdia, a sinceridade de coração, a luta pela paz, a perseverança diante das perseguições: essas são as atitudes que correspondem ao compromisso pelo “Reino”.

Para viver durante a semana:

Um pequeno resto… «Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor…»
Um pequeno “resto” de gente que procura Deus na verdade, numa Igreja minoritária no seio de uma sociedade que só crê na riqueza, no poder, nas performances.
Gente que procura a justiça, a humildade, a doçura, a paz, o perdão…Este programa entra na minha vida?

III Domingo do Tempo Comum

A liturgia deste domingo apresenta-nos o projecto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projecto do “Reino”. Jesus cruza-se com toda a espécie de pessoas: os que têm fé e os que duvidam, os que vêm ouvi-lo e se convertem e os que O condenam, os que O seguem e os que O abandonam. Mas nunca desiste de ninguém, ao contrário do que muitas das vezes acontece com cada um de nós.

1ª Leitura: Is 8, 23b-9,3:
Na primeira leitura, o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.

2ª Leitura: 1 Cor 1, 10-13.17:
A segunda leitura apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no baptismo.

Evangelho: Mt 4,12-23:
O Evangelho descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do “Reino”. Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra.

Para viver durante a semana:
Irradiar a luz… Os textos bíblicos de hoje são atravessados de Luz para o nosso caminho de trevas. Quantos homens e mulheres andam à procura de sentido e procuram o seu caminho na noite… As nossas vidas de baptizados estão em coerência com Aquele de quem nos reclamamos como cristãos? A Luz do Ressuscitado é-nos confiada para nos juntarmos aos nossos irmãos… Somos focos que irradiam luz ou candeeiros opacos?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

II Domingo do Tempo Comum

Iniciamos hoje o denominado Tempo Comum. A liturgia deste domingo coloca a questão da vocação; e convida-nos a situá-la no contexto do projecto de Deus para os homens e para o mundo. Deus tem um projecto de vida plena para oferecer aos homens; e elege pessoas para serem testemunhas desse projecto na história e no tempo.

1ª Leitura: Is 49, 3.5-6
A primeira leitura apresenta-nos uma personagem misteriosa – Servo de Jahwéh – a quem Deus elegeu desde o seio materno, para que fosse um sinal no mundo e levasse aos povos de toda a terra a Boa Nova do projecto libertador de Deus.

2ª Leitura: 1 Cor 1, 1-3:
A segunda leitura apresenta-nos um “chamado” (Paulo) a recordar aos cristãos da cidade grega de Corinto que todos eles são “chamados à santidade” – isto é, são chamados por Deus a viver realmente comprometidos com os valores do Reino.

Evangelho: Jo 1, 29-34:

O Evangelho apresenta-nos Jesus, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é o Deus que veio ao nosso encontro, investido de uma missão pelo Pai; e essa missão consiste em libertar os homens do “pecado” que oprime e não deixa ter acesso à vida plena.

Para viver durante a semana:
Testemunho… A palavra “Servidor” regressa hoje em força, em Isaías, enquanto João nos convida a contemplar o Cordeiro de Deus investido da Força do Espírito, ao qual dá testemunho. E nós? O nosso testemunho ficará limitado a estas palavras do Credo proclamado ao domingo? Ou leva-nos a empenharmo-nos em acções concretas no seguimento do Servidor?

Baptismo do Senhor

A liturgia deste domingo tem como cenário de fundo o projecto salvador de Deus. No baptismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projecto do Pai, Ele fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

1ª Leitura: Is 42, 1-4.6-7:
A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

2ª Leitura: Actos 10, 34-38:
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projecto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

Evangelho: Mt 3, 13-17:
No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.

Para viver durante a semana:
Servidor! Primeira palavra da liturgia deste dia – última palavra da liturgia de Sexta-feira santa. Uma palavra que recapitula toda a vida e a Missão de Cristo, o Filho Bem-Amado, invadido pelo amor do Pai. Servidor! A única palavra que nos é oferecida para definir a nossa participação na sua Missão, enquanto discípulos. Servidor! Que serviço preciso poderemos assegurar na comunidade e noutros espaços da nossa vida?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Epifania do Senhor

Dentro do ciclo litúrgico que estamos a reviver, do nascimento de Jesus, a festa que celebramos hoje, a da Epifania do Senhor, é, como o Natal, também manifestação de Deus aos homens em Jesus. Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.

1ª Leitura: Is 60, 1-6:
A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

2ª Leitura: Ef 3, 2-3a.5-6:
A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.

Evangelho: Mt 2, 1-12:
No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem excepção.

Para viver durante a semana:
Audácia missionária. Assembleias dominicais que são cada vez mais diminutas… Vocações sacerdotais e religiosas cada vez mais raras… Não reduzamos a Missão aos nossos problemas! A Estrela que se levanta na escuridão brilha para todos os povos da terra e convida-nos à audácia missionária. Que iniciativa poderíamos tomar - em comunidade paroquial, em comunidade religiosa, em equipa litúrgica – para nos abrirmos para além de nós mesmos?

sábado, 29 de dezembro de 2007

Santa Maria Mãe de Deus

A liturgia dedica o primeiro dia do ano civil a Maria, celebrando a sua prerrogativa única e o seu título essencial de Mãe de Deus. A Igreja quer assim com esta solenidade, não apenas colocar o novo ano, com as suas interrogações, cuidados e problemas, sob a protecção maternal de Maria, mas também lembrar-nos a importância da missão que ela desempenha na história da Salvação, como Mãe do Salvador.
Neste dia, a liturgia coloca-nos diante de evocações diversas, ainda que todas importantes.
Celebra-se, em primeiro lugar, a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: somos convidados a contemplar a figura de Maria, aquela mulher que, com o seu “sim” ao projecto de Deus, nos ofereceu Jesus, o nosso libertador.
Celebra-se, em segundo lugar, o Dia Mundial da Paz: em 1968, o Papa Paulo VI propôs aos homens de boa vontade que, neste dia, se rezasse pela paz no mundo.
Celebra-se, finalmente, o primeiro dia do ano civil: é o início de uma caminhada percorrida de mãos dadas com esse Deus que nos ama, que em cada dia nos cumula da sua bênção e nos oferece a vida em plenitude.
As leituras que hoje nos são propostas exploram, portanto, estas diversas coordenadas. Elas evocam esta multiplicidade de temas e de celebrações.

1ª Leitura: Num 6, 22-27:
Na primeira leitura, sublinha-se a dimensão da presença contínua de Deus na nossa caminhada e recorda-se que a sua bênção nos proporciona a vida em plenitude.

2ª Leitura: Gal 4, 4-7:
Na segunda leitura, a liturgia evoca, outra vez, o amor de Deus, que enviou o seu Filho ao encontro dos homens para os libertar da escravidão da Lei e para os tornar seus “filhos”. É nessa situação privilegiada de “filhos” livres e amados que podemos dirigir-nos a Deus e chamar-lhe “abbá” (“papá”).

Evangelho: Lc 2, 16-21:
O Evangelho mostra como a chegada do projecto libertador de Deus (que se tornou realidade plena no nosso mundo através de Jesus) provoca alegria e felicidade naqueles que não têm outra possibilidade de acesso à salvação: os pobres e os marginalizados. Convida-nos, também, a louvar a Deus pelo seu amor e a testemunhar o desígnio libertador de Deus no meio dos homens.
Maria, a mulher que proporcionou o nosso encontro com Jesus, é o modelo do crente que é sensível aos projectos de Deus, que sabe ler os seus sinais na história, que aceita acolher a proposta de Deus no coração e que colabora com Deus na concretização do projecto divino de salvação para o mundo.

Para viver durante a semana:
Ao terminarmos esta celebração, peçamos ao senhor que mantenha vivo em nós o desejo de construir a paz: convivendo com todos e respeitando cada um como irmão, filho de Deus; aceitando as diferenças que aparentemente nos separam; perdoando uma palavra ou uma atitude que nos magoou; ajudando os que erram a reconhecerem o seu erro, em vez de os censurar. Ao longo desta ano, em cada dia, Senhor, fazei-nos instrumentos da vossa paz.

Sagrada Família de Jesus, Maria e José

Hoje a Igreja celebra a festa da Sagrada Família. Esta festividade na oitava do Natal, mostra-nos como Jesus quis manifestar-se-nos no seio de uma família. Uma maneira natural. Todos nós temos uma família e é nela que nascemos, crescemos e nos desenvolvemos. Lá bebemos a educação e seguimos também os exemplos que nos derem.
A família é assim a escola e o templo onde mais coisas aprendemos e onde o espírito do Evangelho, de amor, de unidade, tem mais possibilidade de ser vivido e transmitido.
As leituras deste domingo complementam-se ao apresentar as duas coordenadas fundamentais a partir das quais se deve construir a família cristã: o amor a Deus e o amor aos outros, sobretudo a esses que estão mais perto de nós – os pais e demais familiares.

1ª Leitura: Sir 3, 3-7.14-17a:
A primeira leitura apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais. É uma forma de concretizar esse amor de que fala a segunda leitura.

2ª Leitura: Col 3, 12-21:
A segunda leitura sublinha a dimensão do amor que deve brotar dos gestos de todos os que vivem “em Cristo” e aceitaram ser Homem Novo. Esse amor deve atingir, de forma mais especial, todos os que connosco partilham o espaço familiar e deve traduzir-se em determinadas atitudes de compreensão, de bondade, de respeito, de partilha, de serviço.

Evangelho: Lc 2, 41-52:
O Evangelho sublinha, sobretudo, a dimensão do amor a Deus: o projecto de Deus tem de ser a prioridade de qualquer cristão, a exigência fundamental, a que todas as outras se devem submeter. A família cristã constrói-se no respeito absoluto pelo projecto que Deus tem para cada pessoa.

Para viver durante a semana:
No final do Evangelho, Lucas diz que “Maria guardava todos estes acontecimentos no seu coração”. Noutra passagem, Jesus diz que aquele que está na boa terra é o que escuta a palavra com um coração leal e bom, a guarda no coração e produz frutos… Esta palavra de Jesus aplica-se à sua mãe. Voltamos para as nossas famílias. Serão santas, se o nosso coração, como o de Maria, for leal e bom; se, como Maria, guardarmos a Palavra de Jesus; se, com a mesma perseverança de Maria, produzirmos frutos para a maior glória de Deus. É uma semana importante, com a passagem de ano (embora o verdadeiro início de ano para os cristãos seja o 1º Domingo do Advento!), a Festa da Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz. Que a Palavra de Deus seja companhia e luz para os nossos corações, nas nossas famílias, no nosso mundo. Façamos por isso…Sempre em conversão… Viver verdadeiramente o “espírito de família” e o amor fraterno não é fácil: é preciso converter-se continuamente… Esta semana, procuremos ir ao encontro de alguma pessoa com quem não temos tido grande relacionamento fraterno. Não é fácil, mas é o apelo de Deus…

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal do Senhor

Os primeiros cristãos viram em Jesus a Luz que os orientava. Ele próprio simbolizou o amanhecer de uma nova era. Por isso, o Natal Cristão é, antes de mais, um símbolo. Nele celebramos o gesto amoroso de Deus Se fazer como um de nós e nos salvar a partir de dentro. Celebrar o Natal é então acolhermos a Jesus Cristo como o Verdadeiro Salvador.
A liturgia deste dia convida-nos a contemplar o amor de Deus, manifestado na incarnação de Jesus… Ele é a “Palavra” que se fez pessoa e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.

1ª Leitura: Is 52, 7-10:
A primeira leitura anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança.

2ª Leitura: Heb 1, 1-6:
A segunda leitura apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projecto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a “Palavra” de Deus que os homens devem escutar e acolher.

Evangelho: Jo 1, 1-18:
O Evangelho desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho/”Palavra” é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus.

Para viver durante a semana:
Mensageiros! Múltiplas mensagens atravessam o nosso espaço continuamente, portadoras de notícias de todo o género, que se perdem muitas vezes nas ilusões da comunicação. Discípulos de Cristo, somos mensageiros da sua Boa Nova para o mundo. Em que redes nos situamos para permitir que esta Boa Nova se espalhe a toda a terra?

IV Domingo do Advento

Estamos praticamente às portas do Natal cristão. O outro natal, o comercial e consumista, há já semanas que nos rodeia. Confrontados com pontos de vista tão divergentes, nós, cristãos, à hora de interpretar o Natal, temos de ser defensores e intérpretes dos valores solidários. Sem amor partilhado e generoso, o Natal é pobre, indigno e vergonhoso. Se alguma coisa especial possui o Natal, é precisamente a aproximação e a comunhão íntimas para o bem-estar e felicidade de toda a gente. Que a alegria partilhada seja entre nós uma realidade.
A liturgia deste domingo diz-nos, fundamentalmente, que Jesus é o “Deus-connosco”, que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer uma proposta de salvação e de vida nova

1ª Leitura: Is 7, 10-14:
Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia que Jahwéh é o Deus que não abandona o seu Povo e que quer percorrer, de mãos dadas com ele, o caminho da história… É n’Ele (e não nas sempre falíveis seguranças humanas) que devemos colocar a nossa esperança.

2ª Leitura: Rm 1, 1-7:
Na segunda leitura, sugere-se que, do encontro com Jesus, deve resultar o testemunho: tendo recebido a Boa Nova da salvação, os seguidores de Jesus devem levá-la a todos os homens e fazer com que ela se torne uma realidade libertadora em todos os tempos e lugares.

Evangelho: Mt 1, 18-24:
O Evangelho apresenta Jesus como a incarnação viva desse “Deus connosco”, que vem ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação. Contém, naturalmente, um convite implícito a acolher de braços abertos a proposta que Ele traz e a deixar-se transformar por ela.

Para viver durante a semana:
Sinais! Deus está sempre a dar-nos sinais, mas nós procuramos sempre do lado do extraordinário. Raramente Deus está no extraordinário. O sinal que Ele nos oferece é o de uma família humana, como as nossas, em que Ele se faz corpo para ser «Deus connosco». Que espaço Lhe abrimos nas nossas vidas de homens e de mulheres para que o Sinal da sua Presença e do seu Amor seja lisível para todos os que O procuram hoje?Só com o coração aberto a Deus poderemos acolher os irmãos… Só deixando que Deus seja Natal nas nossas vidas poderemos ser Natal para os outros…Nem mais! Mãos à obra em mais uma semana que Deus nos concede, a semana do Natal!

sábado, 15 de dezembro de 2007

III Domingo do Advento

Perceber a proximidade do Natal significa acolher Jesus no nosso interior, abrindo-lhe as portas de par em par. Significa reconhecer a sua presença divina nos símbolos e sinais que nos Dizem que Ele é Aquele que devia vir como verdadeiro Salvador e orientador da História.
A liturgia deste domingo lembra a proximidade da intervenção libertadora de Deus e acende a esperança no coração dos crentes. Diz-nos: “não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está a chegar”.
Vamos assim celebrar em comunidade a nossa fé, partilhando sentimentos e inquietações, interrogando-nos desde o mais profundo do nosso ser, como o faz hoje o evangelho, pois todos nós decerto que sabemos que interrogar-nos é bom e é ao mesmo tempo saudável.

1ª Leitura: Is 35, 1-6ª.10:
A primeira leitura anuncia a chegada de Deus, para dar vida nova ao seu Povo, para o libertar e para o conduzir – num cenário de alegria e de festa – para a Terra da liberdade.

2ª Leitura: Tg 5, 7-10:

A segunda leitura convida-nos a não deixar que o desespero nos envolva enquanto esperamos e a aguardarmos a vinda do Senhor com paciência e confiança.

Evangelho: Mt 11, 2-11:
O Evangelho descreve-nos, de forma bem sugestiva, a acção de Jesus, o Messias (esse mesmo que esperamos neste Advento): Ele irá dar vista aos cegos, fazer com que os coxos recuperem o movimento, curar os leprosos, fazer com que os surdos ouçam, ressuscitar os mortos, anunciar aos pobres que o “Reino” da justiça e da paz chegou. É este quadro de vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer.

Para viver durante a semana:
Paciência! Uma palavra em total sentido contrário aos nossos comportamentos: exigimos tudo, imediatamente! Dois milénios em que esperamos a vinda do Senhor! Ainda não veio! Mas já está! Renovemos, reajustemos o nosso olhar de fé e redescubramo-l’O bem presente, e em acção, em lugares em que tantas vezes não esperávamos encontrá-l’O! Sempre em atitude de alegria e de esperança!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

II Domingo do Advento

O Advento, este tempo litúrgico tão relacionado com a iniciativa de Deus no sentido de todos chegarmos ao conhecimento da verdade e à salvação, vai avançando. O Advento é então dom e esperança. Por parte de Deus existe o empenho de colocar a nossa vida em estado de expectativa. Ninguém, como Ele, pode acalentar a nossa esperança. Unidos na fé, cantemos a Deus que nos ama e nos abençoa na pessoa de Jesus Cristo. A liturgia deste domingo convida-nos a despir esses valores efémeros e egoístas a que, às vezes, damos uma importância excessiva e a realizar uma revolução da nossa mentalidade, de forma a que os valores fundamentais que marcam a nossa vida sejam os valores do “Reino”.

1ª Leitura: Is 11, 1-10:
Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta um enviado de Jahwéh, da descendência de David, sobre quem repousa a plenitude do Espírito de Deus; a sua missão será construir um reino de justiça e de paz sem fim, de onde estarão definitivamente banidas as divisões, as desarmonias, os conflitos.

2ª Leitura: Rom 15, 4-9:
A segunda leitura dirige-se àqueles que receberam de Jesus a proposta do “Reino”: sendo o rosto visível de Cristo no meio dos homens, eles devem dar testemunho de união, de amor, de partilha, de harmonia entre si, acolhendo e ajudando os irmãos mais débeis, a exemplo de Jesus.

Evangelho: Mt 3, 1-12
No Evangelho, João Baptista anuncia que a concretização desse “Reino” está muito próxima… Mas, para que o “Reino” se torne realidade viva no mundo, João convida os seus contemporâneos a mudar a mentalidade, os valores, as atitudes, a fim de que nas suas vidas haja lugar para essa proposta que está para chegar… “Aquele que vem” (Jesus) vai propor aos homens um baptismo “no Espírito Santo e no fogo” que os tornará “filhos de Deus” e capazes de viver na dinâmica do “Reino”.

Para viver durante a semana:
Convertei-vos! Um sonho muito belo este de Isaías! No estado actual do mundo, como imaginar a sua realização? A chave é-nos dada por João: “Convertei-vos!” Reconhecer o nosso pecado! Deixar o Fogo do Espírito queimar-nos e transformar-nos! É a partir de cada um de nós que começa o mundo novo. É a partir do coração novo de cada um de nós que o mundo poderá ter um novo coração! Mais uma semana para rezar e praticar a conversão! Mãos à obra!

Imaculada Conceição de Nossa Senhora:

Em pleno tempo de Advento, a Igreja celebra a festa da Imaculada Conceição. Na longa noite dos tempos, Maria aparece como a aurora de um novo dia. Por isso a veneramos como a Senhora do tempo novo, a madrugada da Esperança, a criatura que encerra em si toda a perfeição mas o louvor da Igreja não se resume a uma piedade mariana. Ela centra-se, mais profundamente, no plano de Deus Pai que operou maravilhas em favor dos homens, dos quais Maria é esplendor.
Hoje toda a Igreja Católica venera Maria, Imaculada e íntegra desde o princípio, grande exemplo de fé e de colaboração com os planos de Deus. Ela é figura singular na vida da Igreja. Hoje, pomos de relevo a sua delicadeza e pureza de espírito, vitória sobre todo o pecado. Alegremo-nos portanto, por termos em Maria uma mãe santa e maravilhosa e reafirmemos-Lhe a nossa vontade de a imitarmos em tudo e sempre.

1ª Leitura: Gen 3, 9-15.20:
Na leitura da passagem do livro dos Génesis que vamos escutar, Deus profere esta sentença contra a serpente: estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela… A partir de agora passará a haver uma inimizade profunda entre o Bem e o Mal. É nesta sentença que radica o mistério da Conceição Imaculada de Maria.

2ª Leitura: Ef 1, 3-6, 11-12:
Este texto da carta de São Paulo aos Efésios que somos convidados a ouvir é um hino de acção de graças ao Senhor pelo seu plano Salvador. Ele chama-nos à santidade. E, dentre os chamados, sobressai com excepcional relevo a Virgem Maria, aquela que aderiu totalmente a este plano.

Evangelho: Lc 1, 26-38:
A explicação do privilégio da Imaculada Conceição, que consiste no facto de Maria ter concebido sem pecado, encontra-se na saudação do Anjo que a proclama Cheia de Graças. Deus, ao escolhe-la para Mãe de Seu Filho, não podia permitir que ela fosse atingida pelo pecado.

Para viver durante a semana:
Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, é sinal de esperança desde o primeiro ao último livro da Bíblia. Não sendo possível encontrar Jesus sem Maria, recorramos a Ela agora e sempre. Vamos continuar a nossa preparação para o Natal através de uma vida mais austera e penitente, de oração mais intensa e de uma caridade mais diligente. Que Maria seja, pois, o nosso modelo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

I Domingo do Advento

Irmãos, iniciamos hoje o Advento e com ele, um novo ano litúrgico. O Advento é um tempo propício para comemorarmos a extraordinária iniciativa de Deus nos visitar e redimir. Cristo Jesus é sempre Aquele que vem. Não temos por isso que esperar outro Salvador. N’Ele cumpre-se tudo o que procuramos e ansiamos. Por isso, Advento é preparar os caminhos do Senhor. E, neste sentido, é fazer espaço no nosso interior para que Deus e Jesus Cristo possam entrar mais profundamente.
A liturgia deste domingo apresenta-nos então assim um apelo veemente à vigilância. O cristão não deve instalar-se no comodismo, na passividade, no desleixo, na rotina; mas deve caminhar, sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.
Durante estas quatro semanas, preparemo-nos então para celebrar como convém, o Natal de Deus.

1ª Leitura: Is 2, 1-5:
A primeira leitura convida os homens – todos os homens, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde reside o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim. Assim, se caminharmos à luz do Senhor, realizar-nos-e-mos como fruto do Senhor e haverá paz universal.

2ª Leitura: Rom 13, 11-14:
A segunda leitura recomenda aos crentes e por isso também a todos nós, que despertemos da sonolência que nos mantém presos ao mundo das trevas, o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado, que nos vistamos da luz, a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos, e que caminhemos, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da salvação. Escutemos com atenção esta passagem.

Evangelho: Mt 24, 37-44
O Evangelho que iremos escutar vai apelar à vigilância. O crente ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o crente ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.

Para viver durante a semana:

Vigiai! Para esperar o quê? Ou quem? Que esperamos concretamente? Vigiai! Como no tempo de Noé ou de Jesus, estamos absorvidos por tantos interesses! Vigiai! A vida é curta! Paulo indica-nos alguns meios muito práticos para ficar vigilantes e reorientar a nossa espera. Vigiai! Em tempo de Advento, em cada dia da semana que nos é dada para viver!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo

A liturgia deste Domingo reflecte sobre o sentido da história da salvação e diz-nos que a O Ano litúrgico que se inicia com o 1.º Domingo do Advento, fecha com o XXXIV Domingo, o último do tempo Comum, em que se celebra, com solenidade, a Festa de Cristo Rei, a qual foi estabelecida em 1925, pelo Papa Pio XI.
Jesus Cristo é designado rei, não só por se elevar acima de todos os seres criados, mas também pelo facto de Deus Pai lhe ter confiado, com todas as honras, o Reino do Povo de Deus, onde impera o amor que nos há-de libertar e salvar.
Esta festa reveste-se de um significado especial por fazer realçar a soberania de Cristo que é o centro de toda a história da humanidade.
A Palavra de Deus, neste último domingo do ano litúrgico, convida-nos então a todos nós a tomarmos consciência da realeza de Jesus. Deixa claro, no entanto, que essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se exerce no amor, no serviço, no perdão, no dom da vida.

1ª Leitura: 2 Sam 5, 1-3:
A primeira leitura apresenta-nos o momento em que David se tornou rei de todo o Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de David; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de David que iria realizar esse sonho.

2ª Leitura: Col 1, 12-20:
A segunda leitura apresenta um hino que celebra a realeza e a soberania de Cristo sobre toda a criação; além disso, põe em relevo o seu papel fundamental como fonte de vida para o homem.

Evangelho: Lc 23, 35-43:
O Evangelho apresenta-nos a realização dessa promessa: Jesus é o Messias/Rei enviado por Deus, que veio tornar realidade o velho sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens o “Reino”; no entanto, o “Reino” que Jesus propôs não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida.

Para viver durante a semana:
Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: “Vamos com alegria para a casa do Senhor”…; “Deus Pai libertou-nos do poder das trevas… transferiu-nos para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados”…; “Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza”… Procurar transformar as palavras de Deus em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

XXXIII Domingo do Tempo Comum:

A liturgia deste Domingo reflecte sobre o sentido da história da salvação e diz-nos que a meta final para onde Deus nos conduz é o novo céu e a nova terra da felicidade plena, da vida definitiva. Este quadro (que deve ser o horizonte que os nossos olhos contemplam em cada dia da nossa caminhada neste mundo) faz nascer em nós a esperança; e da esperança brota a coragem para enfrentar a adversidade e para lutar pelo advento do Reino.
A certeza da vitória final de Cristo, longe de nos fazer desanimar e baixar os braços, anima-nos a trabalhar sem descansar na construção do Reino de Deus. a vida de cada cristão, no hoje da história, é chamada a ser anúncio do dia do Senhor, para que todos possam conhecer a Cristo, verdadeiro Sol da Justiça, que traz nos seus raios a salvação.
Na vida quotidiana dos nossos seminários, no silêncio da oração e do estudo, se prepara este novo amanhecer. Num mundo dilacerado por tantas contradições, a vida dos que aceitam o chamamento do Senhor para uma entrega radical de serviço à Igreja, é proclamação luminosa e profética dum mundo novo e duma vida nova.
Celebrar o Dia dos Seminários significa então comprometermo-nos responsavelmente neste projecto, que é iniciativa divina, com a nossa oração perseverante e a nossa partilha generosa. Nesta celebração rezemos pelos seminários e confiemos, com esperança, nas mãos de Deus, o futuro da Igreja e do mundo.

1ª Leitura: Mal 4, 1-2:
Na primeira leitura, um “mensageiro de Deus” anuncia a uma comunidade desanimada, céptica e apática que Jahwéh não abandonou o seu Povo. O Deus libertador vai intervir no mundo, vai derrotar o que oprime e rouba a vida e vai fazer com que nasça esse “sol da justiça” que traz a salvação.

2ª Leitura: 2 Tes 7-12:
A segunda leitura reforça a ideia de que, enquanto esperamos a vida definitiva, não temos o direito de nos instalarmos na preguiça e no comodismo, alheando-nos das grandes questões do mundo e evitando dar o nosso contributo na construção do Reino.

Evangelho: Lc 21, 5-19:
O Evangelho oferece-nos uma reflexão sobre o percurso que a Igreja é chamada a percorrer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos em caminhada na história, é comprometer-se na transformação do mundo, de forma a que a velha realidade desapareça e nasça o Reino. Esse “caminho” será percorrido no meio de dificuldades e perseguições; mas os discípulos terão sempre a ajuda e a força de Deus.

Para viver durante a semana:
Termina mais um ano do ciclo litúrgico, com a Solenidade de Cristo Rei no próximo domingo.Durante a semana podemos meditar sobre o crescimento da nossa fé a partir do encontro dominical e quotidiano com a Palavra de Deus na Eucaristia. Transformou-nos? Fez-nos crescer? Ou ficamos na mesma, passivos e estagnados?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

XXXII Domingo do Tempo Comum:

Quando nos reunimos para celebrar a fé, invocamos a Jesus Ressuscitado e o Deus da vida, que nos criou e é o nosso ponto de partida e de chegada.
Hoje vamos celebrar, de uma maneira especial que Deus é Pai de todos, que nos chama a viver em plenitude na terra e, depois, no céu. Há poucos dias ainda, visitámos o cemitério e recordámos os nossos antepassados falecidos. Hoje a Palavra de Deus insiste na perspectiva da ressurreição.
Iniciamos também hoje a Semana de Oração pelos Seminários. Na vida da Igreja, os seminários são sinais concretos do amor de Deus pelo seu povo. Eles são o lugar onde o coração aberto de Cristo Bom Pastor continua a derramar-se como fonte inesgotável de eterna consolação e feliz esperança. Neles o Espírito do Senhor Ressuscitado vai transformando e fazendo amadurecer aqueles que chama para, em seu nome, anunciarem a palavra, confortarem os corações, serem testemunhas apaixonadas e destemidas da sua ressurreição, darem a vida por Ele e pelo Evangelho.
Ao iniciarmos esta semana de oração, somos convidados a olhar os seminários como sementeiras de Deus, onde germina e cresce o futuro da Igreja. Confiemos ao Senhor os nossos seminários e Ele certamente, na sua fidelidade, não nos faltará com a sua ajuda.
A liturgia deste domingo introduz-nos já no ambiente característico das últimas semanas do ano litúrgico, ao falar-nos da vida que permanece para além da morte, ao tratar da ressurreição dos mortos. O nosso Deus é um Deus de vivos e não um Deus de mortos.

1ª Leitura: 2 Mac 7, 1-2.9-14:
Na primeira leitura, temos o testemunho de sete irmãos que deram a vida pela sua fé, durante a perseguição movida contra os judeus por Antíoco IV Epifanes. Aquilo que motivou os sete irmãos mártires, que lhes deu força para enfrentar a tortura e a morte foi, precisamente, a certeza de que Deus reserva a vida eterna àqueles que, neste mundo, percorrem, com fidelidade, os seus caminhos.

2ª Leitura: 2 Tes 2, 16-3, 5:
Na segunda leitura temos um convite a manter o diálogo e a comunhão com Deus, enquanto esperamos que chegue a segunda vinda de Cristo e a vida nova que Deus nos reserva. Só com a oração será possível mantermo-nos fiéis ao Evangelho e ter a coragem de anunciar a todos os homens a Boa Nova da salvação.

Evangelho: Lc 20, 27-38:
No Evangelho, Jesus garante que a ressurreição é a realidade que nos espera. No entanto, não vale a pena estar a julgar e a imaginar essa realidade à luz das categorias que marcam a nossa existência finita e limitada neste mundo; a nossa existência de ressuscitados será uma existência plena, total, nova. A forma como isso acontecerá é um mistério; mas a ressurreição é uma certeza absoluta no horizonte do crente.

Para viver durante a semana:
Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: “Temos a esperança em Deus de que Ele nos ressuscitará”…; “Escutai, Senhor, a minha oração, feita com sinceridade”…; “O Senhor dirija os vossos corações, para que amem a Deus e aguardem a Cristo com perseverança”…; “Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”… Procurar transformar as palavras de Deus em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…
Feitos para a vida… Anunciar que o nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos (Evangelho) não está reservado para os momentos dos funerais! Esta bela afirmação da nossa fé merece estar mais presente no nosso testemunho… Perguntemo-nos se já tivemos ocasião de o dizer… E se não, porquê?

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

XXXI Domingo do Tempo Comum

No caminho das nossas vidas, muitas coisas nos deixam perplexos. Quantas pessoas desprezadas! Para a cegueira humana existem pessoas irremediavelmente perdidas. Mas quem é que está irremediavelmente perdido? Deus criou todas as coisas e ama todas as suas criaturas, o seu amor transforma as pessoas, e a sua vontade é reunir tudo e todos em Cristo.
A liturgia deste domingo convida-nos então a cada um de nós a contemplarmos o quadro do amor de Deus. Apresenta-nos um Deus que ama todos os seus filhos sem excluir ninguém, nem sequer os pecadores, os maus, os marginais, os “impuros”; e mostra como só o amor é transformador e revivificador.

1ª Leitura: Sab 11, 22-12, 2:
Na primeira leitura um “sábio” de Israel explica a “moderação” com que Deus tratou os opressores egípcios. Essa moderação explica-se por uma lógica de amor: esse Deus omnipotente, que criou tudo, ama com amor de Pai cada ser que saiu das suas mãos – mesmo os opressores, mesmo os egípcios – porque todos são seus filhos.

2ª Leitura: 2 Tes 1, 11-2, 2:
A segunda leitura faz referência ao amor de Deus, pondo em relevo o seu papel na salvação do homem (é d’Ele que parte o chamamento inicial à salvação; Ele acompanha com amor a caminhada diária do homem; Ele dá-lhe, no final da caminhada, a vida plena)… Além disso, avisa os crentes para que não se deixem manipular por fantasias de fanáticos que aparecem, por vezes, a perturbar o caminho normal do cristão.

Evangelho: Lc 19, 1-10:
O Evangelho apresenta a história de um homem pecador, marginalizado e desprezado pelos seus concidadãos, que se encontrou com Jesus e descobriu n’Ele o rosto do Deus que ama… Convidado a sentar-se à mesa do “Reino”, esse homem egoísta e mau deixou-se transformar pelo amor de Deus e tornou-se um homem generoso, capaz de partilhar os seus bens e de se comover com a sorte dos pobres.

Para viver durante a semana:
Levar a Palavra de Deus como luz para mais uma semana de trabalho, de estudo… Ao longo dos dias da semana que se segue, procurar rezar e meditar algumas frases da Palavra de Deus: “Cantai ao Senhor um cântico novo”…; “A Palavra de Deus não está encadeada”…; “Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos”…; “Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”… Procurar transformá-las em atitudes e em gestos de verdadeiro encontro com Deus e com os próximos que formos encontrando nos caminhos percorridos da vida…